domingo, 17 de agosto de 2008

Diario

Encontrei o meu antigo diário ao fim de muitos anos sem lhe acrescentar nem uma linha. Com tons azul turquesa tem a particularidade das folhas serem recicladas e de ter sido feito por mim no meu sexto ano. Aquelas folhas de papel contam a minha vida durante anos. Detecto alguns pequenos erros ortográficos e não me reconheço bem naquelas palavras. Estou num presente distante do passado. Se pudesse acho que muita coisa teria sido diferente. Resolvi escrever. Revelar aquelas folhas com toque amarelado o que me ia na alma naquele preciso momento. Eram tantas coisas que precisava contar. Eram tantos anos da minha vida que não estavam naquele diário. Ao escrever, tornei-me tão melancólica .Havia tantas coisas que eu queria contar a mim própria que não havia tinta de caneta para todas elas. Então resolvi resumir aquilo que eu sentia naquele momento. "Estou bem. Estou Feliz. Nada mais importa"

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Recordações

Olho para aqueles sítios que em tempos foram nossos. Gosto especialmente daquele velho cinema (agora desactivado ) em que íamos. Foi nesse mesmo local em que demos as mãos pela primeira vez. Foi tudo tão especial para ser esquecido. De facto, alguém esqueceu. As mesmas ruas que viram o nosso amor crescer continuam lá. Enfeitadas no tempo do natal coloridas nas promoções. Nelas não encontro nada de familiar pois falta algo aquelas ruas . Tenho medo que esse "algo" se transforme em "alguém".
O amor é isto. Recordar-te. Recordar o que foste para mim e o quanto embelezaste estas ruas. Por momentos, imagino que nunca saíste daqui e que continuas a segurar a minha mão cada vez com mais firmeza. A firmeza de quem quer amar sempre.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

a vila.

Ela , no calor da tarde, sentava-se sempre na esplanada do largo. Era uma vila simpatica com pouca gente . Como qualquer vila do interior era demasiadamente sossegada. A única agitação que ela observava era no verão quando parecia que a humanidade lembrara-se daquele lugar.
Embora a lentidão do curso do rio que observava a inquietava, ela gostava de o observar. Aquela pequena vila proporcionava-lhe um cantinho na velha esplanada que pertencia a família afastada sua como também enquanto escrevia e tomava o seu café conseguia ver o rio. Lembra-se quase de imediato da sua infância. Das longas tardes de domingo passadas a pescar com o pai e o irmão. Sempre fora "maria-rapaz". Em pequena, adorava correr pelas pequenas vielas percorrer todas aquelas casas brancas adormecidas no monte verdejantes.
Perdeu-se nas memorias. Talvez no tempo. Pois a velha boneca de trapos que brincara tantas e tantas vezes dera lugar a um computador trazido de uma das longas viagens até a cidade mais próxima. Era o seu instrumento de trabalho tão moderno para aquela zona. Tanto que toda a gente lhe pedia para "escrever para essa coisa " as cartas mandadas tantas vezes para os quatros quantos da Europa. Ela nunca se imaginaria a emigrar embora compreenda o valor da saudade e o seu espirito de humanidade fazia lhe ajudar os outros. Aqueles que tiveram a tarefa de crescer sem qualquer outro meio de comunicação que nao fosse o papel e a caneta.
Ela era dali. Sentia-se em casa. Estava, de facto, em casa. Era naquele lugar do mundo onde se imaginava a viver ate á eternidade. Opção quase forçada devido ao seu pouco sentido de orientação em relação as grandes avenidas da cidade. Ela era o dia calmo e a noite silenciosa. Era o presente no passado. No fundo, uma mulher á espera que algo mude sem mudar aquele lugar.

domingo, 10 de agosto de 2008

Escrever-te no escrever.

Escrever-te nestas linhas é pouco. É muito pouco. Podia achar te o ser mais odioso que existe por permaneceres no meu coração sem no entanto pagares a respectiva renda. Podia-te achar o ser mais estupidamente desumano , desonesto que brinca com as palavras sem perceber que as palavras matam. Mas não. Continuas aqui. Continuas inivitalvelmente aqui. Não tenho palavras para os messes de renda em atrasos que me deves.
Escrever-te é contar aos outros como te vejo através dos olhos do coração. Dai surgem os elogios, a paz e a tranquilidade de nunca te ter cobrado nada. Um simples gesto vale. Um simples afecto é tudo para que o meu coração bata e me torne estupidamente romântica. Originando assim um processo complicadissimo que envolve todas as células do meu corpo e que me faz escrever. Ou melhor, escrever-te *

sábado, 9 de agosto de 2008

Amanhecer

Amanheceu no meu coração. Está uma linda manhã de primavera. Daquelas onde podemos apreciar o suave canto das aves e o movimento dançante das árvores. Aquelas manhas que nos acolhem num movimento tranquilo onde a paz reina. A paisagem essa é predominantemente verde. Verde como a cor do meu coração que aos poucos levanta o preto de outras horas. Quem disse que o coração era vermelho mentiu.
Não posso deixar de pensar no inverno triste que antecedeu a primavera. Um mistico de frio e de dor. A chuva tornava tudo mais melodramático (ja nao era o suficiente?). O frio rachava qualquer coração. Era o tempo de procurar uma pequena lareira um pequeno abrigo para o jogo dos afectos. Gostava que fosses a minha lareira no inverno e na primavera (se nao fosse pedir muito) a minha manhã





umasofianomeiodetantasofias. *