Ela , no calor da tarde, sentava-se sempre na esplanada do largo. Era uma vila
simpatica com pouca gente . Como qualquer vila do interior era demasiadamente sossegada. A
única agitação que ela observava era no
verão quando parecia que a
humanidade lembrara-se daquele lugar.
Embora a
lentidão do curso do rio que observava a inquietava, ela gostava de o observar. Aquela pequena vila
proporcionava-lhe um cantinho na velha esplanada que
pertencia a
família afastada sua como
também enquanto escrevia e tomava o seu
café conseguia ver o rio. Lembra-se quase de imediato da sua
infância. Das longas tardes de domingo passadas a pescar com o pai e o
irmão. Sempre fora "
maria-rapaz". Em pequena, adorava correr pelas pequenas vielas p
ercorrer todas aquelas casas brancas adormecidas no monte verdejantes.
Perdeu-se nas memorias. Talvez no tempo. Pois a velha boneca de trapos que brincara tantas e tantas vezes dera lugar a um computador trazido de uma das longas viagens até a cidade mais
próxima. Era o seu instrumento de trabalho
tão moderno para aquela zona. Tanto que toda a gente lhe pedia para "escrever para essa coisa " as cartas mandadas tantas vezes para os quatros quantos da Europa. Ela nunca se imaginaria a emigrar embora compreenda o valor da saudade e o seu
espirito de humanidade fazia lhe ajudar os outros. Aqueles que tiveram a tarefa de crescer sem qualquer outro meio de comunicação que
nao fosse o papel e a caneta.
Ela era dali. Sentia-se em casa. Estava, de facto, em casa. Era naquele lugar do mundo onde se imaginava a viver ate á eternidade. Opção quase forçada devido ao seu pouco sentido de orientação em relação as grandes avenidas da cidade. Ela era o dia calmo e a noite silenciosa. Era o presente no passado. No fundo, uma mulher á espera que algo mude sem mudar aquele lugar.